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RESENHA|| A CIDADE DO SOL

Título: A cidade do Sol
Autor: Khaled Hosseini
Tradução de: Maria Helena Rouanet
Páginas: 367
Editora: Nova Fronteira

Avaliação:

Sinopse: Mariam tem 33 anos. Sua mãe morreu quando ela tinha 15 anos e Jalil, o homem que deveria ser seu pai, a deu em casamento a Rashid, um sapateiro de 45 anos. Ela sempre soube que seu destino era servir seu marido e dar-lhe muitos filhos. Mas as pessoas não controlam seus destinos. Laila tem 14 anos. É filha de um professor que sempre lhe diz: "Você pode ser tudo o que quiser." Ela vai à escola todos os dias, é considerada uma das melhores alunas do colégio e sempre soube que seu destino era muito maior do que casar e ter filhos. Mas as pessoas não controlam seus destinos. Confrontadas pela história, o que parecia impossível acontece: Mariam e Laila se encontram, absolutamente sós. E a partir desse momento, embora a história continue a decidir os destinos, uma outra história começa a ser contada, aquela que ensina que todos nós fazemos parte do "todo humano", somos iguais na diferença, com nossos pensamentos, sentimentos e mistérios.



Khaled Hosseini é um autor que transmite para suas histórias particularidades relevantes sobre as características dos lugares, pessoas e situações do cotidiano marcando a cultura e a história da população afegã.

No livro “A cidade do sol” o autor nos conta a história de duas mulheres: Mariam e Laila. As duas protagonistas do livro são muito diferentes, nascem e vivem em fases distintas, porém se encontram em meio ao caos da intolerânciem, das tradições de que: meninas de 15 anos têm que casar com homens que elas nunca viram na vida. Somado a isto, enfrentam a guerra de um país que desconhece totalmente o valor e a sensação da paz – entre pessoas, entre diferenças. 

O livro tem 51 capítulos. Cronologicamente, há fatos que nos surpreendem o tempo todo. No primeiro capítulo conhecemos o pai de Mariam – Jalil – um dos homens mais ricos da sociedade afegã, mais precisamente da cidade de Herat (a terceira cidade mais populosa do Afeganistão). Jalil é típico homem representado por ter: três esposas, noves filhos legítimos e Mariam que era desconhecida de tudo e todos. 

A mãe de Mariam tinha sido empregada na casa de Jalil. Subentende-se no livro que Nana é abusada do próprio patrão, engravida. Por isso “todos os homens da sua vida” e as pessoas da casa onde trabalha a repudiam. O avô materno de Mariam “um humilde entalhadora” não aceita a filha grávida, e para completar, Nana, mãe de Mariam se ver sozinha e foge. 


Os capítulos seguem narrando histórias tristes em relação aos acontecimentos que ocorrem com Mariam. O sonho de ir ao cinema aos 15 anos passa despercebido diante das tragédias que seguem em sua vida. Anos depois, Mariam é obrigada a casar com um homem que nunca tinha visto na vida e percebe sua jornada mudar totalmente. 

Laila é uma garota cheia de sonhos, de objetivos e curiosidade diante das novas descobertas que encontra em sua vida. Rodeada por pessoas queridas e por pais que querem o melhor para ela, se ver sozinha em um determinado momento da história. 


“Aprenda isso de uma vez por todas, filha: assim como uma bússola precisa apontar para o norte, assim também o dedo acusador de um homem sempre encontra uma mulher à sua frente. Sempre. Nunca se esqueça disso, Mariam.” (p.12)

As duas protagonistas têm suas histórias cruzadas. Mariam e Laila são mulheres afegãs que passam por experiências que afligem, dão medo e diante das injustiças se unem e acabam construindo amizade, força e coragem para enfrentar todos os obstáculos. 

“Em meio ao ruído das páginas, Laila se dirige à janela sem cortinas. Dali, pode ver os meninos se enfileirando para praticar os lances livres. Acima deles, lá para os lados das montanhas, o sol está surgindo. E vem bater no aro metálico da cesta de basquete, na corrente dos balanços, no apito pendurado ao pescoço (...). Fecha os olhos. Deixa que o sol venha lhe bater no rosto, nas pálpebras, na testa.” 

O sol, nome que está presente no título do livro, representa o centro energético da vitalidade. O sol é luz, vida e calor. É o espírito interior de cada ser. A personalidade em sua essência. A luz é o símbolo do conhecimento, sua busca de realização, sua capacidade criadora, sua verdadeira individualidade. O Sol associa-se ao dia e, como tal, a busca consciente da realização pessoal. Indico esse livro para todos que buscam, conscientemente, o conhecimento sobre o que se passa dentro de “nós” e do “outro”, para as pessoas fãs de histórias que transmitem reflexão sobre a vida.


RESENHA|| A LENDA DE MATERYALIS



Título: A Lenda De Materyalis: As Crônicas De Aliank 1
Autor: Saymon César
Ano:2016
Páginas: 239
Editora: Novo Século

Avaliação: 



Sinopse: No princípio dos tempos, as sociedades de Hedoron acreditavam nos mandamentos dos servos de Materyalis , suposto deus criador do Universo e da vida. A lenda diz que a divindade se angustiou ao observar os atos corruptíveis das suas criaturas e atribuiu a si toda a culpa da imperfeição dos povos. Sua consciência atordoada separou sua essência em duas entidades, criadoras de ideologias extremistas que dividiram a crença das sociedades. Assim nasceu a materja, a guerra que visa a consolidação de uma verdade entre todas as raças. Avessa ao propósito da contenda milenar, surge uma sociedade secreta, que busca o único artefato capaz de desvendar o que realmente foi Materyalis e, assim, livrar os povos da dúvida que os condenou aos intermináveis confrontos. Mas, para chegar ao objetivo, é necessário usar a misteriosa aptidão de cinco indivíduos habitantes de Aliank, um reino dominado por contradições que podem apressar a ruína do mundo antes que a verdade sobre Materyalis seja revelada.




Uma carta. Tudo se inicia com uma carta. Müdrik, antes de sumir, deixou uma carta para os seguidores veniristas com algumas informações muito importantes para alcançar a maior conquista de Hedoron: a verdade sobre a lenda de Materyalis e acabar com os terríveis conflitos que há milênios assolam suas sociedades.

"Só me restava esperar os próximos eventos que o sinkrorbe tinha a me mostrar, e percebi como a noite seria longa." p. 61

Antes de desaparecer, Müdrik deixou alguns artefatos que são cruciais para encontrar o Sinkra, objeto que muitos acreditam ter sido usado por Materyalis na criação, e revelar a grande verdade sobre Hedoron. Entre papiros com escritos valiosos, Müdrik também deixou o sinkrorbe (um cristal que mostra visões proféticas) para ajudar na busca pelo artefato sagrado, que mudará não só a mente do povo de Aliank, mas de todo Herodon. 

Harcos foi o "escolhido" (digamos que ele estava disponível no momento) para encontrar o Sinkra, porém ele vai precisar da ajuda de dez denins (aqueles que possuem dens, um tipo de poder) que o sinkrorbe mostra a cada visão. Encontrar e recrutar os denins certos é de extrema importância, pois, se a causa vinirista for descoberta pelas pessoas erradas (tem sempre aqueles que são do contra), poderá ser o fim da busca pelo Sinkra e todos permanecerão na escuridão ideológica para sempre.

"A busca pela verdade da lenda de Materyalis será longa e certamente nos trará muitas visões dolorosas." p. 230

Um livro bastante peculiar e interessante. Os capítulos da obra são baseados nas visões que o personagem principal tem durante a história, o que é bem curioso e deixa o clima mais interessante, já que podemos ter acesso ao que está acontecendo em todo o reino. Porém, o destaque nesse livro é a falta de aceitação que as pessoas têm em relação ao que os outros acreditam; não se pode ter um pensamento diferente daquele que se é imposto e aquele que se atreve a pensar diferente é morto, sem hesitação. O que me fez refletir muito sobre o quanto nossa sociedade é intolerante com aqueles que fogem dos padrões. 

Aventura, criaturas mágicas e um toque medieval serão encontradas no livro A Lenda de Materyalis é uma história fantástica em que os fãs de Senhor dos Anéis irão amar.

RESENHA|| MINIATURISTA

Imagem relacionadaTítulo: Miniaturista
Autora: Jessie Burton
Páginas: 251
Editora: Intrínseca

Avaliação: 
Skoob || Onde comprar

Sinopse: Em 1686, a jovem Nella Oortman se casa com Johannes Brandt, um bem-sucedido mercador de Amsterdã, e se muda do interior da Holanda para a cidade grande. No entanto, por causa das viagens a trabalho, Johannes não é dos maridos mais atenciosos e Marin, sua irmã, se encarrega de controlar cada aspecto do lar e da família Brandt. Logo, para agradar a nova esposa, Johannes a presenteia com uma miniatura da casa em que moram e, assim, Nella encontra um miniaturista para confeccionar algumas peças. Entretanto, tudo começa a mudar quando o miniaturista passa a enviar obras que nunca foram pedidas, mas que não apenas refletem a realidade, como parecem anunciar futuras tragédias.



Miniaturista é uma obra da autora Jessie Burton, lançado no ano de 2015 e conta-se que o canal britânico, BBC1, está encomendando uma minissérie de três episódios que passará-se no inverno do Reino Unido e da Holanda.

A história de Petronella Oortman passa-se em 1686, em Amsterdã, Holanda. Nella é uma garota de dezoito anos, que acaba de se casar com o comerciante Johannes Brant. Logo a garota muda-se de sua pequena propriedade no campo em Assendelft para a cidade de Amsterdã, após um rápido casamento, sem direito a grinalda, cálices de noivado nem leito nupcial.


Ao chegar na mansão em que passaria a ser a "chefe" do lar, Nella não conta com esse papel, o único ao qual acreditava ter após a rápida cerimônia, pois este seria dado à irmã de Johannes, Marin Brandt, uma mulher controladora, fria, calculista e de poucas palavras. No entanto, Nella não está sozinha em sua enorme casa: conta-se também com Cornélia, a jovem órfã dedicada aos afazeres da mansão, assim como Otto, um jovem rapaz que auxilia Cornélia e passa por infelizes situações da época apenas pelo fato de ser negro.

Nella perambula pela casa, deslocada por não ter mais a presença constante da família (embora esteja aliviada pelas novas condições de vida), perdida sem ter um lar para controlar, já que seus últimos dois anos de vida foram dedicados para estes cuidados e para com a sua conduta diante da sociedade. Atordoada com a ausência de seu marido em seu leito nupcial, um momento tão esperado por Nella.

Dessa forma, seguindo a ideia de que mentes vazias são perturbantes, Johannes cria uma casa de bonecas, idêntica ao lar em que vivem, para que desse modo, Nella possa decorar e fazer o que ela não pode em seu lar (como o simples fato de comer açúcar, devido à conduta moral-religiosa que viviam na época).

Assim, ainda aborrecida por ser tratada como uma adolescente, a garota vai a procura de um miniaturista e, quando encontrado em um catálogo, faz um pedido de três pequenos objetos para a sua casa; objetos estes em que é impelida de tê-los em sua casa real. Contudo, ao recebê-los, se surpreende não só pelos detalhes realísticos e muito bem trabalhados das miniaturas, mas o bônus de objetos que não haviam sido pedidos e parecem transmitir uma mensagem a ser analisada.

Os dias passam e a jovem Nella vai se apegando cada vez mais às suas miniaturas e ao poder de surpreender do miniaturista, que continua a enviar-lhe peças que coincidem com acontecimentos na vida da menina, seja no presente ou futuro. Logo, ela percebe que seja para o bem ou para o mal, o miniaturista tenta lhe alertar, abrir seus olhos para o que ela não consegue ver diante dessa nova cidade, família e realidade.

Recomendo o Miniaturista para pessoas que gostam de ler livros "calmos" sem deixar de se surpreender e chorar um pouco (mais para o final). Ao término do enredo percebemos a evolução de cada personagem, o que é maravilhoso, pois Nella, por exemplo, não muda drasticamente "da água para o vinho"; temos a sua apresentação como uma simples garota do campo, que ao longo dos acontecimentos vai tornando-se uma mulher forte, independente, dona de suas ações e motivo de suas esperanças. Temos também uma abordagem da época, sobre como os negros eram vistos em uma sociedade que não praticava a alteridade ao querer conhecer a diversidade social, sobre a mistura de classes, a hipocrisia das classes dominantes, as traições em qualquer âmbito do relacionamento, a lealdade e fraternidade, e até mesmo a morte.


Não foi um dos livros mais "oh!" que já li, mas foi uma obra que me enriqueceu de informações por personagens que foram construídos e desconstruídos gradativamente, nutrindo um amor e mostrando até onde o ser humano é capaz de ir pela sobrevivência, dinheiro, prazeres, pela vingança e pelo amor procurando a esperança.

"O homem toma por brinquedo tudo o que vê.
- Assim nunca um garoto ele deixará de ser." p. 66

RESENHA|| LADRÃO DE ALMAS

Título: Ladrão de almas
Editora: Novo conceito
Páginas: 427
Ano: 2012
Avaliação: 


Sinopse: No turno da noite de um hospital no estado do Maine, o Dr Luke Findley espera ter outra noite tranquila com lesões causadas pelo frio extremo e ocasionais brigas domésticas. Mas, no momento em que Lanore McIlvrae - Lany - entra no pronto-socorro, muda a vida dele para sempre. Uma mulher com passado e segredos misteriosos, Lany não é como as outras pessoas que Luke conheceu. E Luke fica inexplicavelmente atraído por ela... mesmo sendo suspeita de assassinato; e conforme Lany conta sua história, uma história de amor e uma traição consumada que ultrapassam o tempo e mortalidade, Luke se vê completamente seduzido. Seu relato apaixonado começa na virada do século 19 na mesma cidadezinha de St. Andrew, quando ainda era um templo puritano. Consumida, quando criança, pelo amor que sentia pelo filho do fundador da cidade, Jonathan, Lany fará qualquer coisa para ficar com ele para sempre. Mas o preço que ela tem que pagar é alto - um laço imortal que prende a um terrível destino por toda a eternidade. E agora, dois séculos depois, a chave para sua cura e salvação depende totalmente de seu passado. De um lado um romance histórico, de outro, uma narrativa sobrenatural, Ladrão de almas é uma história inesquecível sobre o poder do amor incondicional, não apenas para elevá-lo e sustentá-lo, mas também para cegar e destruir. E releva como cada um de nós é responsável por encontrar o próprio caminho para a redenção.





"Luke faz todos os procedimentos para examinar a prisioneira, mas mal consegue pensar por causa da estranha pulsação em sua cabeça. Acende uma pequena lanterna nos olhos dela (são do azul mais claro que já viu, como duas pedras de gelo) para ver se suas pupilas estão dilatadas. Sua pele é viscosa, sua pulsação, baixa, e a respiração, irregular." p. 14.



Ladrão de almas é um livro narrado em dois tempos distintos: o atual, onde se passa a partir da chegada de Lany ao hospital, e no século XIX, onde ela é uma jovem inocente e apaixonada. Inicialmente, a história é baseada em um romance proibido e não correspondido entre Lany e Jonathan. Ela, uma filha de camponeses, e ele, filho do fundador da pequena cidade de St Andrew, no Maine. A única fonte de renda da cidade é a madeireira, que emprega basicamente todos os pais de família desse pacato vilarejo. 

A jovem, desde criança, sofre com o amor não correspondido de Jonathan, o rapaz mais lindo e cobiçado por todas as moças e mulheres da região. Quando os dois se tornam mais velhos, Lany tem a mais firme certeza que ama Jonathan, mas ele não sente nada mais que amizade por ela. No entanto, depois de tanto persistir, os dois acabam se envolvendo; a princípio, com amizade e, depois, tendo um caso, onde Lany engravida. Ao descobrir que será mãe, a moça descobre também que o pai de seu filho está prometido à outra: Evangeline. Sem saber o que fazer, ela conta aos pais sobre a gravidez e, loucos com a notícia, decidem mandá-la para um convento, para que a criança, assim que nasça, seja dada para adoção. A partir daqui, entra em cena os mistérios da sobrenaturalidade, onde Lany é encontrada por três submissos de um poderoso homem. Pessoas estas que mudarão sua vida. 

Um ser lindo e charmoso, que afetará para sempre a vida de Lany entra cena: Adair! O misterioso homem oferece a ela uma saída: a vida eterna, salvando-a da morte que a ronda, como última solução. No entanto, um preço será pago e este não é barato, para que a mocinha se liberte da morte que ceifa os dados "normais". A protagonista dessa história sofre terríveis abusos, tanto psicológicos quanto físicos, com os castigos impostos por seu dominador. No entanto, enquanto o tempo passa, o amor que Lany sente por Jonathan adormece, mas fica guardado e pronto para ressurgir a qualquer momento.





De volta ao Maine, nos tempos atuais, Luke - o médico que atende Lannore quando esta chega ao seu consultório, na pacata cidade de St Abdrew - se vê seduzido por ela a ponto de enfrentar seus medos, largar sua vida rotineira e sem graça, esquecer os problemas que o assolam e se arriscar a ter uma vida fugitiva e inesperada com sua nova parceira/cúmplice/amante. Surgem diversos sentimentos entre os dois, tais como proteção, amor, medo e esperança que tudo acabará bem. A cada página, uma nova sensação de aflição, medo e ansiedade que tudo corra bem assola o casal e o leitor juntos.


Como o livro se passa em dois tempos, mesclados durante a trama e narrados por Lany, fica fácil o leitor se situar sobre os acontecimentos à medida que ela explica a Luke o trajeto de sua vida ao longo dos séculos.

Ladrão de almas não é um romance clássico, mas uma mistura de romance de época, suspense, terror e sobrenaturalidade, que vai prender você do começo ao fim. Bruxaria, seres imortais e uma única fraqueza aos submissos de Adair cercam esse livro, dividido em uma trilogia: Ladrão de almas, refém da obsessão e um terceiro livro, ainda não lançado no Brasil, mas já nas livrarias de outros países com o título The descent.

Às pessoas adeptas à leitura de suspense com toque sobrenatural, é uma boa aposta para esse livro. Além de um conjunto visual muito bem elaborado, a Alma Katsu caprichou com a trama e o desfecho. Não deixe de conferir mais essa obra.

 "Quem quer se matar geralmente escolhe algo silencioso e certeiro: veneno, pílulas, um motor de carro ligado na garagem fechada ou gás escapando do forno. Não pede para ser esfaqueado até a morte. Se esse amigo realmente quisesse morrer, poderia simplesmente ter ficado sentado sob as estrelas a noite toda, até congelar. " p. 17.


RESENHA|| O MENINO QUE DESENHAVA MONSTROS

Título: O menino que desenhava monstros
Autor: Keith Donohue
Editora: Darkside
Páginas: 256

Avaliação:



Sinopse: Jack Peter é um garoto de 10 anos com síndrome de Asperger, que quase se afogou no mar três anos antes. Desde então, ele só sai de casa para ir ao médico. Jack está convencido de que há de monstros embaixo de sua cama e a espreita em cada canto. Certo dia, acaba agredindo a mãe sem querer, ao achar que ela era um dos monstros que habitavam seus sonhos. Ela, por sua vez, sente cada vez mais medo do filho e tenta buscar ajuda, mas o marido acha que é só uma fase e que isso tudo vai passar. Não demora muito até que o pai de Jack também comece a ver coisas estranhas. Uma aparição que surge onde quer que ele olhe. Sua esposa passa a ouvir sons que vêm do oceano e parecem forçar a entrada de sua casa. Enquanto as pessoas ao redor de Jack são assombradas pelo que acham que estão vendo, os monstros que Jack desenha em seu caderno começam a se tornar reais e podem estar relacionados a grandes tragédias que ocorreram na região. Padres são chamados, histórias são contadas, janelas batem. E os monstros parecem se aproximar cada vez mais. 

O menino que desenhava monstros é, na verdade, um livro que não me agradou muito. Talvez porque eu estivesse com muitas expectativas para a leitura ou talvez eu não tenha lido em um momento bom, já que havia saído de uma vibe da Julia Quinn e fui direto para ele, mas o livro não me prendeu.





O livro conta a história de um garoto chamado Jack Peter, de 10 anos, que tem síndrome de Asperger e, desde os 7 anos, quando se afogou com o seu melhor amigo, Nick, ele não sai mais de casa; até para ir ao médico precisa de todo um processo (se agasalhar todo e ir no colo dos pais). Entretanto, Jack, como todos os garotos de sua idade, adquire uma nova atividade prazerosa: Desenhar monstros. 

Seu amigo Nick não gosta muito de estar com Jack, mas os seus pais meio que o obrigam a estar sempre com o seu amigo, pois é o único elo que ele tem com um mundo exterior. Ele também acaba sendo obrigado a desenhar monstros para fazer companhia a Jack, mas os seus são apenas monstros que ele viu nos filmes de TV.

Jack começa a afirmar que está vendo monstros embaixo da cama e, quando agride sua mãe sem querer, achando que ela fosse um dos seus monstros, os seus pais começam a ficar preocupados, mas nunca acreditam no que Jack diz. Tudo muda quando o pai dele começa a ver criaturas na rua, um homem nu, completamente branco e gélido. Sua mãe também começa a ouvir vozes e barulho vindo do oceano e eles ficam cada vez mais confusos, confundindo realidade com imaginação. Mas, mesmo assim, nunca escutam o que Jack tem a dizer, preferem ouvir o menino "normal", Nick.



O livro gira em torno do pensamento de 4 personagens e foi difícil me apegar a eles, pois suas partes eram vagas e todos não foram aprofundados corretamente. O livro também mostra a dificuldade da família em aceitar a realidade do filho, misturando também crônicas japonesas.

A história não me agradou muito. O livro é muito parado em vários momentos e eu me pegava pensando em coisas nada a ver com a história quando estava lendo. Ele não assusta muito, então para os que tem medo de terror e suspense, leiam sem medo.

A edição da Darkside, como sempre, está arrasadora; amei demais. A capa é maravilhosa e as folhas, em papel grosso, são ótimas. Mais um belo trabalho dessa editora fantástica.


               


Para concluir, recomendo o livro àqueles que gostam de histórias de suspense, mas que não assusta muito e àqueles que gostam de coisas mais bobinhas e leves.
       






Resenha || 4x1 - SÉRIE: O LAR DA SRTa PEREGRINE PARA CRIANÇAS PECULIARES




Título: O Lar da Srta Peregrine para Crianças Peculiares
Autor: Ransom Riggs
Editora: Intrínseca
Páginas: 336

Avaliação:


Sinopse: Milhões de cópias vendidas em todo o mundo! Traduzido para mais de 40 idiomas! Eleito uma das 100 obras mais importantes da literatura jovem de todos os tempos Tudo está à espera para ser descoberto em "O orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares", um romance que tenta misturar ficção e fotografia. A história começa com uma tragédia familiar que lança Jacob, um rapaz de 16 anos, em uma jornada até uma ilha remota na costa do País de Gales, onde descobre as ruínas do Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares. Enquanto Jacob explora os quartos e corredores abandonados, fica claro que as crianças do orfanato são muito mais do que simplesmente peculiares. Elas podem ter sido perigosas e confinadas na ilha deserta por um bom motivo. E, de algum modo - por mais impossível que possa parecer - ainda podem estar vivas. “Mesmo sem as fotos, esta seria uma história emocionante, mas as imagens dão um irresistível toque de mistério. A narração em primeira pessoa é autêntica, engraçada e comovente. Estou ansioso para o próximo volume da série!” RICK RIORDAN, autor da série Percy Jackson e Os Olimpianos. “Um romance tenso, comovente e maravilhosamente estranho. As fotos e o texto funcionam brilhantemente juntos para criar uma história inesquecível.” JOHN GREEN, autor de A culpa é das estrelas. “Vocês têm certeza de que não fui eu quem escreveu esse livro? Parece algo que eu teria feito...” TIM BURTON




Como boas vindas ao mês de Dezembro, decidi fazer uma resenha especial para vocês: vou trazer uma rodada 4x1 de resenha da série que me encantou do começo ao fim e tem um espaço no coração: O Lar da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares, e mostrar um pouquinho da forma em que esta série vem embravecendo muitos leitores.

Meu primeiro contato com esta obra, em que tinha como título "Orfanato" ao invés de "Lar", e, na época, publicado pela Editora Leya, foi há exato um ano, e comprei, sem saber sobre o que se tratava e sem nenhuma pretensão do que iria encontrar. 

O Lar da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares é uma fantástica obra de Ransom Riggs. Muitos, logo de cara, idealizam um terror bem pesado, mas o livro relata um suspense romântico. Sim, romântico! No enredo descobrimos uma história de amor quase impossível na sua aventura.

É uma história intrigante, cheia de mistérios, que deixam o livro ainda mais interessante. O toque especial fica por conta das peculiares e intrigantes fotografias que se entrelaçam de uma forma estupenda com a narrativa, despertando ainda mais a curiosidade do leitor! 

Jacob, desde sua infância, ouviu histórias incríveis de seu avô, Abe. Histórias até mesmo inacreditáveis sobre como foi chegar ao País de Gales com apenas 5 anos de idade, de viagens em navios, de estrondosas guerras e como sobreviveu a tudo isso. 

O livro possui onze capítulos, 336 páginas amareladas e letras aprazíveis para leitura, além do design gráfico incrível com tons de antiguidade, deixam uma pegada sobrenatural que encanta do começo ao fim. 

Particularmente, é uma das melhores histórias que já li. Foge agradavelmente do comum. 

Com os acontecimentos, batalhas, superação e paixões, o Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares nos convida a viajar por um mundo que parece ser feito de sonhos. É uma obra que fascina. É peculiar. Jacob com todos seus objetivos nos leva para uma jornada rumo ao extraordinário, onde nem tudo é o que parece ser. 

“Eu costumava sonhar em fugir da minha vida comum, mas minha vida nunca havia sido comum. Simplesmente não conseguira notar como ela era extraordinária.”






Título: Cidade dos Etéreos
Autor: Ransom Riggs
Editora: Intrínseca
Páginas: 384

Avaliação:



Sinopse: Cidade dos Etéreos dá sequência ao celebrado O orfanato da srta. Peregrine para crianças peculiares, em que o jovem Jacob Portman, para descobrir a verdade sobre a morte do avô, segue pistas que o levam a um antigo lar para crianças em uma ilha galesa. O orfanato abriga crianças com dons sobrenaturais, protegidas graças à poderosa magia da diretora, a srta. Peregrine.
Neste segundo livro, o grupo de peculiares precisa deter um exército de monstros terríveis, e a srta. Peregrine, única pessoa que pode ajudá-los, está presa no corpo de uma ave. Jacob e seus novos amigos partem rumo a Londres, cidade onde os peculiares se concentram. Eles têm a esperança de, lá, encontrar uma cura para a amada srta. Peregrine, mas, na cidade devastada pela guerra, surpresas ameaçadoras estão à espreita em cada esquina. E, além de levar as crianças a um lugar seguro, Jacob terá que tomar uma decisão importante quanto a seu amor por Emma, uma das peculiares.
Telecinesia e viagens no tempo, ciganos e atrações de circo, malignos seres invisíveis e um desfile de animais inusitados, além de uma inédita coleção de fotografias de época — tudo isso se combina para fazer de Cidade dos etéreos uma história de fantasia comovente, uma experiência de leitura única e impactante.


O livro I, "Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares", anteriormente lançado pela editora Leya, ganhou o título do meu livro preferido. Uma das minhas melhores leituras até hoje. Ansiava pela continuação do próximo livro, desde que finalizei a primeira leitura.

O segundo livro da série, Cidade dos Etéreos chegou com um toque a mais de aventura e teve um desenvolvimento mais rápido do que o primeiro volume da série. 

Ransom Riggs conseguiu prender o leitor ainda mais na trama, desde a primeira página até a última. Ressalto aqui que no primeiro capítulo do livro, Riggs teve o cuidado minucioso de retroceder um pouco a história e nos situar no tempo, já que toda a trama é rica em detalhes, relembrando sutilmente os acontecimentos e dando continuidade no enredo, sem perda de ritmo.  

É intenso de uma forma inexplicável. Cidade dos Etéreos foi uma das melhores continuações que li, começando exatamente onde O Orfanato da Srta. Peregrine acabou. 

A narrativa é desenvolvida pela visão de Jacob, personagem principal da trama, e que surpreende bastante pelo amadurecimento que adquire no decorrer da história, deixando de lado sua segurança e seus medos, para salvar a vida dos seus “companheiros de guerra”. 

O epílogo foi de tirar o fôlego. O Autor deixou o final em aberto, criando uma pontinha de curiosidade para o Livro 3, quando, após a última página, nos traz a degustação do primeiro capítulo da próxima obra, “Biblioteca de Almas”. 

Cidade dos Etéreos é arrebatador. É impossível descrever meus sentimentos e impressões aqui. Em muitas páginas me perguntei se aquilo não era real. Uma leitura envolvente muito mais que recomendada.

"Eu estava ali por um motivo. Havia algo que eu precisava fazer, não apenas ser; e não era fugir ou me esconder, muito menos desistir no instante em que as coisas começassem aparecer aterrorizantes ou impossíveis."






Título: Biblioteca de Almas
Autor: Ransom Riggs
Editora: Intrínseca
Páginas: 416
Avaliação:



Sinopse: Biblioteca de Almas é o último volume da celebrada trilogia iniciada com O lar da srta. Peregrine para crianças peculiares. Neste terceiro livro, depois de sofrer com a morte do avô, conhecer crianças com habilidades peculiares em uma fenda temporal e partir pelo mar em uma busca desesperada para curar a srta. Peregrine, Jacob vai finalmente enfrentar a inevitável conclusão dessa turbulenta jornada. Jacob descobre uma poderosa habilidade e não demora a explorá-la para resgatar os amigos peculiares e as ymbrynes da fortaleza dos acólitos. Junto com ele vai Emma Bloom, uma menina capaz de produzir fogo com as mãos, e Addison MacHenry, um cão com faro especial para encontrar crianças perdidas.
Partindo da Londres dos dias atuais, o grupo vai percorrer as ruelas labirínticas do chamado Recanto do Demônio, uma complexa fenda temporal que abriga todo tipo de vícios e perversões. É ali que o destino de peculiares de toda parte será decidido de uma vez por todas. Tal como os volumes anteriores da série, Biblioteca de Almas une fantasia, aventura e sombrias fotografias de época para criar uma experiência de leitura única.



O livro III, Biblioteca de Almas, lançado pela Intrínseca, chegou ás livrarias em 20 de Agosto de 2016 com mais uma edição fantástica de capa dura e sobreposição.  Assim como o Livro II, tem o estilo hardcover, com jacket e páginas amareladas com diagramação e detalhes coloridos dando um toque bem “retrô” na história.

Biblioteca de Almas teve muita aventura e um desfecho surpreendente.  Desta vez, Riggs, não retrocedeu a história como houvera feito em “Cidade dos Etéros”, mas nem por isso deixou de ser uma continuação maravilhosa! 

Jacob narra novamente à história. Ele amadurece ainda mais, agora que foi “forçado” a aperfeiçoar suas novas habilidades que descobriu por acaso, já que o destino de sua amada Emma, de seus amigos e de todas as Ymbrynes, estava em suas mãos. 

No que tange os outros personagens, ressalto que a maior parte da história tem apenas Jacob, Emma e Addison no enredo “principal”, aparecendo, ao acaso, novos personagens como Sharon, Sr. Bentham, Nim. Os outros peculiares que nos acompanharam nos dois últimos volumes da série, vem a esta história como menção. A participação destes volta totalmente apenas no final da história.

Isso trouxe uma pegada diferente e de muita originalidade, pois a história com menos personagens, desenvolveu ainda mais rápido, pois querendo ou não, ficamos naquela ansiedade de querer saber logo o que tinha acontecido com os amigos peculiares.   

Riggs, novamente, traz as peculiares fotografias e assim como “Cidade dos Etéreos” ilustrou a narrativa em tempo real que, ao contrário do Livro I, nos trazia as fotografias no sentido de induzir o leitor a imaginar situações pretéritas. 

Biblioteca de Almas trouxe um final perfeito a toda história. Não sei se o motivo de achar esta trama PERFEITA está envolvida no fato de ter gostado tanto de todas as três obras, sendo impossível achar algum defeito na história. Deve ser, pois “O Orfanato da Srta. Peregrine para crianças Peculiares” e suas duas continuações, “Cidade dos Etéreos” e “Biblioteca de Almas”, foram os melhores livros que li em toda minha vida. Uma história totalmente inesperada que, assustadoramente, me encantou do começo ao fim.

 É inexplicavelmente e intensamente apaixonante. 

 "- Não me importa se é perigoso. Eu não vou deixá-los para trás."


Título: Contos Peculiares

Autor: Ransom Riggs
Editora: Intrínseca
Páginas: 208
Avaliação:



Sinopse: O livro dentro dos livros, Contos peculiares é a coletânea de contos e fábulas citada ao longo da série O lar da srta. Peregrine para crianças peculiares — o livro com as histórias que os jovens peculiares escutam sua protetora contar e recontar.Um menino que vira gafanhoto e foge com um grupo de gansos; uma princesa com língua de cobra à procura de um príncipe com quem se casar; canibais ricos que comem braços e pernas de peculiares que têm o dom de se regenerar são alguns dos personagens dessas narrativas que há séculos povoam o imaginário dos peculiares, oferecendo não apenas valiosas lições, mas também pistas para informações secretas, como a localização exata de certas fendas temporais, por exemplo. Compilado por Millard Nullings, o menino invisível acolhido no lar da srta. Peregrine, o livro inclui surpreendentes comentários e notas, além de um desfecho alternativo para a tocante história do gigante Cuthbert, já conhecida dos leitores da série.
Inusitado, surpreendente e divertido, Contos peculiares é ao mesmo tempo um delicioso complemento e uma porta de entrada para o rico universo criado por Ransom Riggs; um verdadeiro presente para quem não resiste à magia das boas histórias.



Contos Peculiares é o famoso livro onde contém as histórias de séculos anteriores à existência do Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares. É o livro em que se faz menção nos três livros da série e, contém todas lições que as crianças ouviram e aprenderam por toda vida.

Durante toda a trama da série é este livro que guia as Crianças Peculiares por todos os obstáculos, por conter informações das fendas temporais e como encontrá-las.

Do mesmo modo que o livro original é gigantesco, nosso querido garoto invisível, Millard Nullings, personagem das outras três histórias e narrador dos Contos, selecionou e nos proporcionou conhecer de perto os 10 contos favoritos dele e que segundo ele, são os que contém mais aprendizados.  

"Se você é da classe dos peculiares (e, se leu até aqui, espero, sinceramente, que seja), então este livro não necessita apresentação. Estas histórias provavelmente foram uma parte muito importante e querida de sua formação, e, enquanto crescia, você as leu ou as ouviu serem contadas com tanta frequência que poderia recitar as suas preferidas palavra por palavra. "

São 10 contos que somente quem se transformou em um verdadeiro peculiar vai entender. São contos curtos e com uma escrita totalmente agradável.

Ransom Riggs trouxe uma peculiaridade diferente neste livro. Ao invés das macabras fotografias, há desenhos em preto e branco em cada abertura de um novo conto, o que proporciona mais realidade nas histórias contadas e faz com que o leitor possa se sitar na ambientação de cada conto. 

Agora, que me considero parte deste universo peculiar, afirmo com precisão que esta foi a melhor série de toda minha vida e estará em primeiro lugar para sempre. 


Esta é a minha deixa! Foi um enorme prazer contar um pouquinho mais sobre a MELHOR SÉRIE DO UNIVERSO. 

Já leu algum? Ficarei feliz em saber um pouquinho da opinião de vocês. 

RESENHA|| O CAÇADOR DE PIPAS

                                                   
Título: O caçador de pipas
Autor: Khaled Hosseini
Editora: Editora Nova Fronteira
Páginas: 365
Avaliação: 


Sinopse: O caçador de pipas é considerado um dos maiores sucessos da literatura mundial dos últimos tempos. Este romance conta a história da amizade de Amir e Hassan, dois meninos quase da mesma idade, que vivem vidas muito diferentes no Afeganistão da década de 1970. Amir é rico e bem-nascido, um pouco covarde, e sempre em busca da aprovação de seu próprio pai. Hassan, que não sabe ler nem escrever, é conhecido por coragem e bondade. Os dois, no entanto, são loucos por histórias antigas de grandes guerreiros, filmes de caubói americanos e pipas. E é justamente durante um campeonato de pipas, no inverno de 1975, que Hassan dá a Amir a chance de ser um grande homem, mas ele não enxerga sua redenção. Após desperdiçar a última chance, Amir vai para os Estados Unidos, fugindo da invasão soviética ao Afeganistão, mas vinte anos depois Hassan e a pipa azul o fazem voltar à sua terra natal para acertar contas com o passado.



Um dos livros mais vendidos da história da literatura mundial: eleito o melhor livro do ano pelo San Francisco Chronicle (um importante jornal americano), selecionado entre os dez melhores do ano, pela Entertainment Weekly (uma das revistas mais importantes dos Estados Unidos) e destacado como livro notável, pela American Library Association, O caçador de pipas, traz a história de amor, amizade, orgulho e arrependimento, entre outros sentimentos, que nos faz refletir sobre nossas práticas cotidianas. Nos faz compreender como as relações, sejam amorosas ou as de amizade, podem e devem ser construídas: “Há um jeito de ser bom de novo!”

Inicialmente, o livro é narrado em primeira pessoa. A história se passa no Afeganistão na década de 70. Os personagens principais do livro são Amir, Hassan – “o menino do lábio leporino que corria atrás das pipas como ninguém” (p. 10) e Sohrab. Amir e Hassan vivem em realidades sociais diferentes. Amir é rico, seu pai tem influência e conhecimento com outras autoridades da região que moram. Hassan é uma criança que não saber ler e nem escrever, mas esses fatores passam despercebidos diante da sua bondade, generosidade e fidelidade em relação a sua amizade com Amir. 

Os capítulos do livro são enumerados de acordo com de fatos ocorridos. Há partes que, enquanto questionares das atitudes humanas, nos perguntamos se seriamos capazes de ter determinadas atitudes com aquela pessoa que consideramos como: “melhor amigo”. O que é ser melhor amigo?


Há capítulos que são decisivos para a construção da personalidade dos personagens. Essa construção é o que prende o leitor diante das descobertas e situações que vão ocorrendo no decorrer do livro. Khaled Hoissini transmite ao leitor características minuciosas dos lugares, das pessoas e da cultura oriental. 



As atitudes tomadas por cada personagem nos revelam a capacidade humana de reagir às diversas situações da vida a partir do medo, da razão ou por meio do amor. São reveladas durante os capítulos segredos em relação ao pai de Amir, a história do próprio Amir e de Hassan, o que acaba surpreendendo o leitor.

Amir é um personagem que transmite uma carga de culpa e arrependimento, mas esses sentimentos são justificados no livro. As angústias e culpas carregadas por ele são solucionadas com o surgimento de Sorhab na história. 


“Tinha sido apenas um sorriso, e nada mais. As coisas não iam se ajeitar por causa disso. Aliás, nada ia se ajeitar por causa disso. Só um sorriso. Um sorriso minúsculo. Uma folhinha em um bosque, balançando com o movimento de um pássaro que alça vôo.” (p.365)


Khaled Hosseini consegue envolver o leitor ao contar a história. No livro “ o caçador de pipas”, os personagens do autor vão além, “caçam” sonhos, verdades e a esperança de viverem livres, longe da violência e das injustiças da sociedade afegã. Indico esse livro para todos os públicos e, para as pessoas que são fãs de boas histórias.
 


RESENHA|| O VELHO E O MAR



Título: O Velho e o Mar 
Autor: Ernest Hemingway
Editora: Bertrand Brasil 
Páginas: 128 páginas 

Avaliação:  

Sinopse: Best-seller em todo o mundo e também no Brasil, O Velho e o Mar conta a história de um pescador que, depois de 84 dias sem apanhar um só peixe, acaba fisgando um de tamanho descomunal, que lhe oferece inusitada resistência e contra cuja força tem de opor a de seus braços, do seu corpo, e, mais do que tudo, de seu espírito. Um homem só, no mar alto, com seus sonhos e pensamentos, suas fundas tristezas e ingênuas alegrias, amando com certa ternura o peixe com que trava ingente luta até levá-lo a uma derrota leal e honesta. Uma obra-prima da literatura contemporânea, dotada de profunda mensagem de fé no homem e em sua capacidade de superar as limitações a que a vida o submete. 



O Velho e o Mar é uma das obras mais conhecidas de Ernest Hemingway, autor americano renomado por sua escrita e sua persistência/influência no tempo. As suas obras obtém o status de arte, fazendo parte do cânone literário. 

A primeira publicação do livro ocorreu em 1952 em Cuba, onde o autor residia na época. O nome original da obra é The Old Man and the Sea. 

Os personagens sobre os quais a trama circunda principalmente são: Santiago, um velho pescador cubano; Manolin, um jovem garoto, único amigo de Santiago; DiMaggio, jogador de baseball norte-americano citado nas conversas entre o velho e o garoto, e lembrado constantemente como referência para o velho enquanto o mesmo está no mar.

As primeiras palavras do livro nos deixam a par acerca do desenrolar da obra: 

"Ele era um velho que pescava sozinho em seu barco, na Corrente do Golfo. Havia oitenta e quatro dias que não apanhava nenhum peixe. Nos primeiros quarenta, um rapaz fora com ele. Mas, após quarenta dias sem um peixe, os pais do rapaz disseram a este que o velho estava definitivamente e declaradamente *salão*, o que é a pior forma de azar, e o rapaz fora por ordem deles para outro barco que na primeira semana logo apanhou três belos peixes" p. 7 


A trama do romance se desenvolve a partir da narração do octogésimo quinto dia de pesca de Santiago, o velho. Hemingway se preocupa em descrever as relações de Santiago: com o jovem, com suas memórias, com o mar e a natureza, com o peixe e consigo. 

"ao falarem do mar dizem el mar, que é masculino. Falam do mar como um adversário, de um lugar ou mesmo de um inimigo. Entretanto o velho pescador pensava sempre no mar no feminino e como fosse uma coisa que concedesse ou negasse grandes favores; mas se o mar praticasse selvagerias ou crueldades era só porque não podia evitá-lo. 'A lua afeta o mar tal como afeta as mulheres', refletiu o velho." p. 32 

Durante a leitura é inevitável suscitar questões existenciais, o que faz o leitor prender-se na história concretizando o efeito de cartasse com o personagem principal. Outra observação é a de que mesmo o tempo cronológico que circunda a história seja de três dias apenas, com a maior parte das falas desenvolvidas através de um monólogo e de pensamentos, a obra não torna-se monótona, nem cansa o leitor, pelo contrário, Hemingway instiga estimulando o leitor a vivenciar essa aventura juntamente com o velho Santiago.








"'Mas, pensou, eu as mantenho sempre na mesma profundidade. O que aconteceu é que acabou a minha sorte. Mas, quem sabe? Talvez hoje. Cada dia é um novo dia. É melhor ter sorte. Mas eu prefiro fazer as coisas sempre bem. Então, se a sorte me sorrir, estou preparado." p. 35


O livro é indicado para o público de todas as idades, para aqueles que gostam de ler sobre questões existenciais e sobre a relação do homem com a natureza. Além de ser interessante para aqueles que gostam de uma boa aventura e filosofar sobre a vida.

"- Mas o homem não foi feito para a derrota - disse. - Um homem pode ser destruído, mas não derrotado." p. 104

A obra é um clássico da Literatura mundial. Vale a pena dar uma chance a ela e aprofundar-se na narrativa e nas suas temáticas.