Páginas: 251
Editora: Intrínseca
Sinopse: Em 1686, a jovem Nella Oortman se casa com Johannes Brandt, um bem-sucedido mercador de Amsterdã, e se muda do interior da Holanda para a cidade grande. No entanto, por causa das viagens a trabalho, Johannes não é dos maridos mais atenciosos e Marin, sua irmã, se encarrega de controlar cada aspecto do lar e da família Brandt. Logo, para agradar a nova esposa, Johannes a presenteia com uma miniatura da casa em que moram e, assim, Nella encontra um miniaturista para confeccionar algumas peças. Entretanto, tudo começa a mudar quando o miniaturista passa a enviar obras que nunca foram pedidas, mas que não apenas refletem a realidade, como parecem anunciar futuras tragédias.
Miniaturista é uma obra da autora Jessie Burton, lançado no ano de 2015 e conta-se que o canal britânico, BBC1, está encomendando uma minissérie de três episódios que passará-se no inverno do Reino Unido e da Holanda.
A história de Petronella Oortman passa-se em 1686, em Amsterdã, Holanda. Nella é uma garota de dezoito anos, que acaba de se casar com o comerciante Johannes Brant. Logo a garota muda-se de sua pequena propriedade no campo em Assendelft para a cidade de Amsterdã, após um rápido casamento, sem direito a grinalda, cálices de noivado nem leito nupcial.

Ao chegar na mansão em que passaria a ser a "chefe" do lar, Nella não conta com esse papel, o único ao qual acreditava ter após a rápida cerimônia, pois este seria dado à irmã de Johannes, Marin Brandt, uma mulher controladora, fria, calculista e de poucas palavras. No entanto, Nella não está sozinha em sua enorme casa: conta-se também com Cornélia, a jovem órfã dedicada aos afazeres da mansão, assim como Otto, um jovem rapaz que auxilia Cornélia e passa por infelizes situações da época apenas pelo fato de ser negro.
Nella perambula pela casa, deslocada por não ter mais a presença constante da família (embora esteja aliviada pelas novas condições de vida), perdida sem ter um lar para controlar, já que seus últimos dois anos de vida foram dedicados para estes cuidados e para com a sua conduta diante da sociedade. Atordoada com a ausência de seu marido em seu leito nupcial, um momento tão esperado por Nella.
Dessa forma, seguindo a ideia de que mentes vazias são perturbantes, Johannes cria uma casa de bonecas, idêntica ao lar em que vivem, para que desse modo, Nella possa decorar e fazer o que ela não pode em seu lar (como o simples fato de comer açúcar, devido à conduta moral-religiosa que viviam na época).
Dessa forma, seguindo a ideia de que mentes vazias são perturbantes, Johannes cria uma casa de bonecas, idêntica ao lar em que vivem, para que desse modo, Nella possa decorar e fazer o que ela não pode em seu lar (como o simples fato de comer açúcar, devido à conduta moral-religiosa que viviam na época).
Assim, ainda aborrecida por ser tratada como uma adolescente, a garota vai a procura de um miniaturista e, quando encontrado em um catálogo, faz um pedido de três pequenos objetos para a sua casa; objetos estes em que é impelida de tê-los em sua casa real. Contudo, ao recebê-los, se surpreende não só pelos detalhes realísticos e muito bem trabalhados das miniaturas, mas o bônus de objetos que não haviam sido pedidos e parecem transmitir uma mensagem a ser analisada.
Os dias passam e a jovem Nella vai se apegando cada vez mais às suas miniaturas e ao poder de surpreender do miniaturista, que continua a enviar-lhe peças que coincidem com acontecimentos na vida da menina, seja no presente ou futuro. Logo, ela percebe que seja para o bem ou para o mal, o miniaturista tenta lhe alertar, abrir seus olhos para o que ela não consegue ver diante dessa nova cidade, família e realidade.
Recomendo o Miniaturista para pessoas que gostam de ler livros "calmos" sem deixar de se surpreender e chorar um pouco (mais para o final). Ao término do enredo percebemos a evolução de cada personagem, o que é maravilhoso, pois Nella, por exemplo, não muda drasticamente "da água para o vinho"; temos a sua apresentação como uma simples garota do campo, que ao longo dos acontecimentos vai tornando-se uma mulher forte, independente, dona de suas ações e motivo de suas esperanças. Temos também uma abordagem da época, sobre como os negros eram vistos em uma sociedade que não praticava a alteridade ao querer conhecer a diversidade social, sobre a mistura de classes, a hipocrisia das classes dominantes, as traições em qualquer âmbito do relacionamento, a lealdade e fraternidade, e até mesmo a morte.
Não foi um dos livros mais "oh!" que já li, mas foi uma obra que me enriqueceu de informações por personagens que foram construídos e desconstruídos gradativamente, nutrindo um amor e mostrando até onde o ser humano é capaz de ir pela sobrevivência, dinheiro, prazeres, pela vingança e pelo amor procurando a esperança.
"O homem toma por brinquedo tudo o que vê.
- Assim nunca um garoto ele deixará de ser." p. 66











