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Amiga íntima das Crônicas|| Fantasmas do passado


Pela primeira vez em meses, cheguei cedo do trabalho. Joguei as chaves na aparadeira que fica ao lado da porta, fui até a cozinha, tomei um copo de água gelada e subi para o meu quarto, pretendendo me dar ao luxo de um banho de banheira, quente, perfumado e demorado.


A nostalgia, o cansaço, a sensação de incapacidade, abandono e tristeza vêm me perseguindo a meses. Uma tensão toma conta dos meus ombros. Uma dor de cabeça irritante me acompanha a cada dia, e eu sinto que tudo isso está acabando comigo.

Tiro a roupa e prendo meus cabelos em um coque folgado, enquanto ouço a água encher a banheira. Me aproximo e mergulho meus dedos para testar a temperatura. Ponho os sais de banho, retiro o robe e entro nela, como se a minha vida dependesse disso. 

Lembranças irrompem em minha memória. Da luta dos meus pais para manterem meus irmãos e a mim a quase pão e água. Das minhas roupas surradas e das risadas de desdém das outras crianças. Do olhar de mágoa no rosto da minha melhor amiga, enquanto me via beijando o cara por quem ela era apaixonada. Das noites de festas e das notas baixas nas provas das manhãs seguintes. Da escolha de um curso universitário que me proporcionaria mais dinheiro no lugar do que eu realmente gostaria de cursar.

Com os olhos fechados, sinto as lágrimas descerem por meu resto, enquanto um grito abafado tenta subir por minha garganta. O grito não sai. As lágrimas rolam e as lembranças continuam.

Lembranças das coisas que deixei de fazer e das que fiz por obrigação. Das viagens que não fiz. Dos livros que não li. Dos abraços que não dei. De não ter agradecido aos meus pais por serem os melhores do mundo. De não ter dito aos meus familiares que os amo. De não ter pedido perdão à minha melhor amiga quando deveria. De não ter ajudado alguém que precisava. De não dar bom dia ao porteiro do meu prédio ou ao zelador do meu trabalho. De estar aqui, presa nesse apartamento, lamentando não ter vivido os sonhos que um dia tive.

Sinto a luz do banheiro piscar. Um som estridente tapa meus ouvidos. Meus membros adormecem e minha respiração fica lenta. Me sinto sufocar, afogar, submergir. 

Acordo assustada e olho em minha volta. Não sei quanto tempo passei aqui. Não sei quando exatamente adormeci em minha banheira, nem quando. Enfim entendi que a tristeza que envolve a minha vida é culpa dos fantasmas. Fantasmas de um passado não vivido. Fantasmas da pessoa que eu deveria ser. Fantasmas das lembranças do que eu vivi. 

Saio da banheira, visto o robe e me olho no espelho. Olho a mulher que venceu dificuldades. Olho a mulher que perdeu muito, mas que conquistou muito mais. Olho a mulher que sabe que não pode descontar as frustrações nos outros, porque não é deles a culpa. Olho a mulher que percebeu que não se vive de passado. Que é preciso ser forte. Que é preciso ser eu. 

Hoje venci os fantasmas do meu passado, vou fazer as pazes com eles e deixá-los lá, onde nunca deveriam ter saído. Vou olhar para frente, e viver cada dia em sua plenitude. Como se cada um deles fosse o último da minha vida. Não vou lamentar mais, porque a vida é curta e o amanhã pode nunca vir. 


Amiga íntima das crônicas|| Eu sou Humana





“ Trabalho, universidade, cursos e mais cursos, mestrado, doutorado, afazeres domésticos, marido,
filhos, familiares, amigos, ela dança, ela canta, escreve, pinta, ainda tem tempo de se manter bela, arrumada, seu cabelo sempre sedoso, unhas bem feitas, perfumada, tudo o que põe a mão faz bem feito, tudo o que você pode imaginar ela faz... em tudo ela é ótima, tem tempo para tudo, os professores afirmam “a melhor das alunas"; o patrão diz “melhor funcionária”; sua família inteira tem orgulho da tal estrela, mesmo que às vezes não tenham muito do tempo dela, ela se orgulha de quem se tornou e de onde conseguiu chegar. 

Tudo isso parece ter saído de um comercial americano antigo, “A Anna é uma mulher incrível e muito feliz, ela é completa!”, quando vamos nos tornando adultas, independentemente de ser mulher ou homem, a vida vai nos exigindo que sempre nos esforcemos ao máximo para atingir a perfeição, cedendo as exigências, sendo o melhor que podemos ser, nos envolvendo em milhares de atividades e achando absolutamente normal. Ora o que tem de errado, afinal não era o que queríamos? Não é exatamente assim que queremos ser vistos? A sensação é de êxtase “Nós somos os melhores", não é!? COMO ASSIM VOCÊ NÃO QUER MAIS TUDO ISSO? Tudo era um sonho maravilhoso e porque agora dói? Antes havia prazer, havia vida, e porque agora eu praticamente faço tudo mecanizado? Estou cansada, estressada, eu não tenho mais tempo, entrei nesse mundo de cabeça e não sei mais como voltar, faz parte de mim...

Acordei num domingo de manhã chuvoso, cedo, com esses pensamentos me sondando. Como sempre, já tinha milhares de afazeres, mas esse dia tinha sido destinado para que eu abrisse os meus olhos. Aos domingos meu pai costumava me acordar aos abraços; já tinha esquecido daquele conforto caloroso dos domingos de manhã. Naquele dia em especial ele também acordou cedo, mas mal sabia dos meus compromissos. Ele veio até meu quarto e me indagou: "Você ficará em casa hoje, querida?", eu pensei por uns 2 minutos naquela pergunta; a palavra casa vagou na minha mente, não pelo lugar, mas pelas pessoas. Por não responder, o meu pai acreditou que era uma afirmação, já que todas as vezes que ele perguntava eu fazia um discurso enorme da rotina do domingo e então me disse : "Que bom que ficará em casa hoje, eu estou com saudades da minha menina, eu amo você". Naquele momento me segurei para não chorar, eu ouvi meu coração bater. Desmarquei tudo o que tinha que fazer naquele dia, eu descobri que ainda era humana, quase esqueci do que era o amor dos meus pais, da minha família, quase esqueci do que era ter um dia de plenitude, de dizer “eu te amo”, de sair sem hora para voltar, eu era só um belo fruto da grande fábrica de adultos capacitados e perdidos, mas eu acordei.

Você talvez se veja exatamente assim, cheio de atividades, por fora é visto como o melhor de todos, o destaque, mas por dentro, se esqueceu do que é viver! Está ocupado demais para lembrar disso. Ser como Anna é inalcançável; Anna não é humana, acorde! Você não é perfeito, seja um humano feliz.



Séries|| Stranger Things






Sinopse: "Quando um garoto desaparece, a cidade toda participa nas buscas. Mas o que encontram são segredos, forças sobrenaturais e uma menina."
"E o mais recente destaca Stranger Things com mais visualizações que a novas temporadas de Demolidor e House of Cards ou a primeira de Jessica Jones." (AdoroCinema)

Stranger Things é uma websérie original da Netflix, que veio ganhando mais e mais audiência, assim como fãs. Trata-se de uma série de suspense, terror, ficção científica e uma trilha sonora maravilhosa, que foi renovada para uma segunda temporada. Porém, infelizmente, retornará em 2018, quando os atores já tiverem amadurecido (fisicamente).

A série passa-se na década de 80 (1983, mais precisamente), na cidade (fictícia) Hawkins, Indiana. A história inicia-se mostrando uma falha no laboratório do governo dos EUA, onde um experimento foge de controle. Paralelamente, são apresentados como personagens principais, quatro garotos: Mike, Dustin, Lucas e Will. No entanto, algo "misterioso" acontece com Will e o garoto desaparece, preocupando os moradores da pequena cidade sobre seu paradeiro.


 




Pistas do desaparecimento de Will são encontradas, assim como uma garota estranha chamada "Eleven". Um grupo de moradores é formado para procura-lo na floresta, assim como fazem os três garotos (amigos de Will) com suas bicicletas.

A série possui uma boa ambientação para a década de oitenta, assim como um bom clima de suspense. Logo no primeiro episódio provamos uma prévia dos mistérios, segredos e tensões (de uma forma bem positiva!), assim como no final (do episódio), em que fica um clima envolvente que leva o telespectador a assistir mais um episódio (e depois mais um, e quando você percebe, já acabou).

Não se deixe enganar, a série não é só para os que curtem uma boa história fictícia e de terror. Há momentos cômicos provocados pelos personagens, principalmente Dustin (risos), e maravilhosas citações. 






Acredito que o único fato a se criticar é o tempo que levará para a próxima temporada ser lançada, uma vez que Stranger Things é, com certeza, uma série a ser favoritada, pois além de um tema muito bem explorado,  possui um elenco apaixonante. Enfim, é uma série envolvente que faz valer a tarde e os olhos vidrados no computador.







Coluna|| Amiga íntima das crônicas|| Eu, você e o tempo







Era uma manhã normal de aula, enquanto dirigia para a escola eu pensava nas coisas que via a minha volta.
O sol não tinha saído por completo ainda. Era uma manhã fria e pouco iluminada. Apesar disso, pássaros cantavam e voavam de árvore em árvore. Plantas brotavam e floresciam cada uma mais majestosa que a outra. Alguns jovens corriam pela calçada enquanto alguns idosos caminhavam conversando sorridentes atrás deles. Alguns homens saiam de paletó e gravata para trabalhar e enquanto suas esposas com seus bebês de colo acenavam do jardim. Algumas mulheres com salto alto e outras com sandália rasteira saiam com o mesmo objetivo de outras casas.

As pessoas a minha volta pareciam felizes e realizadas, enquanto eu não fazia ideia do que iria ser quando crescer. "Crescer" é na verdade um modo de se falar. Eu já tenho 22 anos. A questão é que enquanto a vida parece se mover para todo mundo, eu sinto como se estivesse apenas observando ela passar. Às vezes eu sinto que preciso esvaziar a minha bagagem e selecionar o que é útil na minha vida. Criar sonhos novos, lutar pelos que ainda podem ser conquistados, ler mais, viajar mais, ir mais vezes ao cinema, fazer compras, encontrar um namorado... Fazer qualquer coisa que me faça sentir mais que uma expectadora da minha própria vida.



Eu sei, estou sendo muito dramática. Eu ainda tenho muito tempo pela frente e muita coisa pra viver. Só que mais uma vez esse é o ponto: eu não sei o que esperar do amanhã. Eu não sei nem se vou ter um amanhã. Quando eu paro e penso “se eu morresse hoje eu morreria feliz?” A resposta é clara e direta: Não.

Com esse pensamento eu finalmente chego ao estacionamento da escola. Olho em volta e mais uma vez vejo no semblante das pessoas que todos eles sentem-se realizados. Ou isso ou são ótimos atores. Respiro fundo e saio do carro. Vai ser um longo dia. Eu nem sei o motivo real de tanta reflexão. Talvez seja só TPM. Sigo o corredor e vou para a sala de aula.

Quando eu entro na sala a primeira pessoa que vejo é você. Não é como se a sala estivesse vazia. Tenho quase certeza de que fui a ultima a chegar aqui, quer dizer antes do professor claro que por algum motivo estranho, tendo em vista que ele nunca se atrasa, está atrasado.


Você está lindo como sempre com sua calça jeans e camisa branca. Quando sorri você joga a cabeça um pouco para trás o que faz seus cabelos castanhos claros caírem um pouco em seus olhos quando retorna. Seus braços cruzados na altura do peito mostram seus músculos fortes e peito definido, mas não foi isso que me conquistou. Foi o seu sorriso fácil e seu coração do tamanho do mundo. Foi o fato de você nunca classificar as pessoas por "negro" "gay" ou "crente", mas como “amigos”. Foi, sobretudo, seu abraço forte e quente todas as manhãs. Esse que se tornou o ponto forte do meu dia sem que você se quer percebesse.

A sala esta em polvorosa, todos conversam entre si e ninguém realmente escuta nada, e eu só vejo você. Eu continuo te observando enquanto me encaminho para uma das cadeiras vazias no fundo da sala. Deposito minha mochila no chão ao meu lado, mas não me preocupo em abri-la. Preciso te observar agora, antes que você perceba.

Os pensamentos dessa manhã, sobre o que eu perdi, o que eu quero ter e o que eu realmente posso ter, preenchem a minha mente. Apoio meus braços no encosto da cadeira da frente para te observar melhor. Mais uma vez me sinto como uma telespectadora da vida. Lágrimas escorrem dos meus olhos antes mesmo que eu perceba. Uma sensação sufocante sobe pelo meu peito e me faz engasgar. Solto um gemido baixo e como se você pudesse ouvir através de todo esse barulho, seu olhar segue na minha direção.

No momento em que nossos olhos se encontram seu sorriso se desfaz. Baixo a cabeça rapidamente e encosto a testa em meu braço. Não quero que você me veja assim. Não quero que você me olhe agora. Não preciso de você nesse momento. Mesmo que você seja exatamente o que eu quero.

Sinto a sua presença antes mesmo de te ver. O sangue pulsa em minhas veias e meu coração dispara. Não preciso erguer a cabeça para saber exatamente onde você está: de pé ao meu lado. Unindo todas as forças que me restam me recuso a olhar pra você. Mas você não é de desistir fácil, não é? Você senta na cadeira ao meu lado e me puxa para um abraço e nesse momento o mundo é perfeito.

Seu abraço é quente e apertado. Transmite paz, amizade, carinho....Tudo. Até o amor que você se quer sabe que eu almejo. Encaixo o rosto na curva do seu pescoço, o melhor lugar do mundo pra mim, e ficamos assim por alguns minutos.

Já recomposta digo em sua garganta: - você não pode fazer isso sabia? Me abraçar assim deveria ser crime. Você não sabe o que o seu abraço faz comigo. - Tento erguer a cabeça e esboçar um sorriso de "obrigada" quando nossas bocas se encontram em um beijo apaixonado. Se eu achava que seu abraço era a minha ruína o que vai ser de mim agora? Esse beijo é tudo o que eu sempre quis e tudo o que eu sabia que nunca iria ter. Eu estava de boa com isso. Até agora. Como fazer para esquecer esse beijo? Como fazer para voltar ao status de amigos quando o que eu mais quero é ser a sua namorada?

Cedo demais nossas bocas se separam e o beijo termina. Mas nenhum de nós abre os olhos. Você encosta a sua testa na minha e tentamos controlar a nossa respiração.

- Oh, Deus. Isso foi... Uma má ideia. - Eu digo.

- Então estamos ferrados. Porque eu não consigo mais parar. - Você diz antes tomar a minha boca na sua mais uma vez.





Amiga íntima das crônicas|| A vida e a bicicleta









Toda criança um dia deseja uma bicicleta, e eu desejava com todas as minhas forças uma bicicleta: linda, rosa, cheia de florezinhas. Lembro-me perfeitamente da emoção que senti, no meu aniversário, quando vi o meu pai tirar ela do carro! Era a bicicleta mais linda que já tinha visto em toda a minha vida, chorei muito quando a ganhei, não esperava aquela surpresa.


Seguiram-se os dias, e com eles, as minhas várias tentativas para aprender a andar de bicicleta. Me imaginava com ela em tantos lugares e em dias diferentes, mas para que esse sonho se concretizasse, eu teria que aprender a andar! Era duro ter paciência e ao mesmo tempo confiança de que naquela próxima tentativa eu não cairia novamente. Eu sabia que tinha de ser perseverante para encerrar mais um dia sem essa conquista. Para falar a verdade isto é horrível pra uma criança com tanta energia e ansiosa para aprender.



Passaram-se os dias, e finalmente eu consegui! A emoção tomou conta de mim. Era quase a mesma sensação de quando a ganhei dos meus pais... -Agora sim! Era tudo que eu precisava (disse a mim mesma).

Sai muito com os amigos, me diverti bastante, corri com ela na chuva, no sol... uma série de belas histórias, mas ainda sim cai muito, e por isso a levei ao conserto diversas vezes. Eu a vi envelhecer, perder a cor viva do rosa e daquelas florezinhas... Apesar do tempo ainda sim era a bicicleta mais linda e bem cuidada daquele bairro.


Percebi que a felicidade sempre esteve nas pequenas coisas: quando passamos naquele vestibular tão esperado; quando somos pedidas em casamento e a resposta é "sim"; quando somos aceitos naquele emprego dos “sonhos”. Algumas vezes não fazemos ideia do tamanho das dificuldades que virão, a sensação de euforia é anestésica, mas infelizmente os efeitos passam.

Como adultos temos um péssimo hábito de desistir dos nossos objetivos, mesmo que aquilo faça parte de um sonho. Todos os dias eu vejo as pessoas trancando seus cursos, se divorciando, desistindo de colocar seu currículo naquela empresa, o que era um sonho torna-se uma tentativa frustrada e é deixada de lado.


O que tenho percebido com tais situações é que a vida desde sempre nos ensinou lições valiosas que se fazem presentes nas pequenas coisas, como por exemplo: aprender a andar de bicicleta, nos ensina quando crianças a não desistir daquilo que realmente queremos, mas porque nos desistimos? Provavelmente você, assim como eu, passou pela experiência de andar de bicicleta, e sabe exatamente que a conquista é gloriosa, que nos proporciona inúmeros momentos felizes. Depois mesmo de conseguir, ainda sim existirão dias ruins e quedas feias, mesmo o tempo a deixando com uma aparência ruim, o amor por aquela bicicleta continua, pois é importante para você.


Porque não podemos pensar como crianças novamente? Porque é tão difícil para os adultos aceitarem o fato que carreiras acadêmicas, casamentos e empregos são construídos com dificuldades e que podem sim chegar lá se forem perseverantes? Que a sua vida seja como andar de bicicleta, mesmo com as várias quedas você permaneça com o brilho de tentar sempre que for preciso.




Mundo Psi|| A vida de Viktor Frankl o Pai da Logoterapia






Em 1905 nasce Viktor Frankl, que desde cedo criou um enorme interesse sobre as questões existenciais. Com o passar do tempo, grandes estudiosos ficaram perplexos com o brilho que ele transparecia, e em 1924 publicava seu primeiro artigo sobre a influência de Sigmund Freud. Anos mais tardes, Viktor já dominava parte de suas ideias que seriam base fundamental para a logoterapia. O "Logos", é uma palavra grega, a título de esclarecimento leiam a postagem Amor tão rico, amor tão puro.

Em meados de 1930, Viktor se torna um médico psiquiatra, lembramos nessa época acontecia a Segunda Guerra Mundial, o maior cenário de sangria já visto nos últimos séculos. Imaginem o que estava prestes a acontecer com Viktor neste tempo, sabendo que ele e toda sua família eram descendentes de judeus? Viktor foi levado ao campo de concentração e separado da sua família, creio que não será necessário descrever do que se tratava o campo de concentração, caso contrário me perderia em tamanhos horrores. O próprio Frankl nos revela em seus livros que não iria se dedicar a descrever o que ele presenciou naquele lugar, mas sim escrever o comportamento da mente humana tendo como cenário algo que não conseguimos descrever.


Durante o tempo em que estava preso nos campo de concentração, Viktor se dedicou a ajudar seus companheiros de luta, pode parecer estranho, mas seria possível ajudar alguém que estava prestes a morrer? Como ele ajudaria alguém que seria colocado em uma camará de gaz e em pouco minutos já não residia fôlego de vida?

É difícil responder a estas perguntas, mas, é ai que a logoterapia atua, não é o fato de simplesmente conceituar a morte: algo que nos levará desse mundo, mas o sentido que eu dou a minha vida enquanto estou vivo, aquilo que me motiva, a me acordar todos os dias, me levantar, a viver.

Hoje costumo dizer que Viktor tinha propriedades para falar sobre o vazio existencial, ele mesmo passou por experiências que o fez escrever e ensinar sobre o sentido da vida. Em uma entrevista, Frankl nos diz que "Em primeiro lugar, não vejo meus livros como sucesso ou conquista ou realização da minha parte, mas uma expressão da miséria dos nossos tempos".

As palavras descritas aqui por minha pessoa formam apenas uma parcela das grandes tragédias que ocorreram em toda sua vida. Citar, estudar ou fazer análises sobre o Viktor Frankl e suas contribuições, torna-se algo tão complexo, como o campo minado da segunda guerra mundial. 
Vocês podem está se perguntando como ele saiu daquele local terrível? Como ele seguiu a vida depois da guerra? Para responder a estas perguntas, convido(a) a me acompanharem na leitura destes dois grandes livros, obras estas que ganham o mundo atual, com temáticas ligadas ao nosso cotidiano



UM PSICÓLOGO NO CAMPO DE CONCENTRAÇÃO

                                                                                                    EM BUSCA DE SENTIDO



Espero que gostem, e até a próxima!






Amiga íntima das crônicas|| O que o tempo apagou...













Certo dia, uma menina olhou para a bela paisagem que estava acima dos seus olhos e, vislumbrando aquela imagem, seu desejo foi capturar ao menos uma pequena parte daquela vista maravilhosa. De súbito, lágrimas escorreram de seus olhos; a menina branca e de cabelos pretos estava mais pálida do que o normal.

A jovem não pode conter suas lágrimas e foi tomada por uma montanha de pensamentos; sentou-se em uma pedra, baixou sua cabeça e fechou os olhos. Naquele momento, a garota entrou em um leve transe, o qual trouxe à tona suas memórias mais íntimas.



A menina logo pensou: - Que memórias são essas? Porque não consigo parar de chorar? O que aconteceu comigo?

Então sua primeira memória veio: a imagem de alguém borrada, como a de um pintor prestes a desenhar o rosto de alguém. A face daquele individuo era familiar para a garota, mas ela não sabia o seu nome, muito menos onde ele morava...

A leveza do seu corpo era evidente, ela já não pensava, mas dormia em si mesma.

Na tentativa de descobrir de quem era aquele rosto, decidiu se aventurar mais fundo nas suas memórias. Um bombardeio de cenas lhe afetou: uma conversa, um abraço caloroso, o primeiro beijo! Neste momento o choro da garota foi mais forte, ela lembrou do rosto daquele moço! Sim, era um homem, que a muito tempo não via.

A jovem resolveu aproveitar aquele momento, se deliciou nas mais doces lembranças: do seu primeiro e único amor. Não sabia em que momento tornaria a vê-lo, ou se seria possível tocá-lo, e até mesmo sentir o seu cheiro. 

Ela já não chorava, mas gritava silenciosamente, porque sabia que não voltaria a viver mais nada daquilo.

E foi há um ano... Um trágico acidente mudou o rumo da sua história; não apenas apagou as suas memórias recentes, como também levou consigo o seu amado. Aquele cuja alma tinha sido unificada um dia antes, no seu casamento. 

Ela sabia que aquela dor jamais passaria, perdeu alguém no dia mais feliz de sua vida, o sonho virou pesadelo.


Acordou de relapso, bateu as pestanas dos olhos e os limpou com um lenço (pego em sua bolsa). Olhou para o chão, e no ímpeto, ergueu seu olhar, novamente, para aquela paisagem. Colocou a mão em seu coração e ali mesmo fez uma promessa: - Não importa quão grande seja a dor, não importa a dureza do tempo em lembrar-me de tudo o que vivemos. A certeza que eu tenho é que estarás vivo em minha memória para todo sempre.



Mundo psi| Conhecendo a Emoção




(imagem retirada da internet) 


Amanheceu, você acordou, se levantou e partiu para o para o seu dia a dia, no final do dia você está pronto(a) para dormir, durante esse tempo quantas emoções você sentiu? Quantas transpareceram?
Mas o que realmente é uma emoção? E porque ela existe em diferentes formas de sentir?


A emoção para a psicologia pode ser definida como um estado de sentimento, que envolve várias mudanças psicológicas, baseadas na ideia de que o pensamento e a atividade mental seriam as responsáveis por elas. A neurologia nos mostra que a atividade do cérebro leva uma resposta emocional e até mesmo fisiológicas e isto se baseia nas respostas dadas pelo corpo e podem gerar as emoções. É por esse percurso que as emoções influenciam a forma como cada pessoa pensa e se comporta.

Ao longo dos estudos psicológicos, vários autores deram suas contribuições para enriquecer nossos conhecimentos, uma das principais teorias apresentadas é a de JAMES-LANGE, seus estudos são bastante conhecidos em se tratando de emoção, tal teoria apresenta e sugere que todas elas são resultados de uma reação fisiológica aos eventos diários, para entender melhor vamos imaginar uma situação hipotética:

"O senhor X está em uma reunião em seu escritório, ao fim de sua reunião o senhor X percebe que cometeu um erro em suas papeladas e devido a este erro,  colocou seu emprego em risco. O senhor X começa a suar frio, seu coração começa a bater de forma rápida, suas mãos estão tremulas, ele começa a ficar nervoso, com medo, irritado, angustiado e tenta o máximo possível para reverter tal situação"

Conseguiram identificar o momento em que as emoções surgiram? Então se o indivíduo no caso do senhor X, testemunha algum estimulo externo, que no caso dele foi as papeladas erradas, o resultado seria uma reação fisiológica, aqui podemos identificar o momento que o senhor X começa a suar frio, ter a aceleração elevada do coração, suas mãos trêmulas e a partir dessa reação surgiria o sentimento que seria o nervosismo, o medo, a irritação, a angustia, etc...

Então agora sabemos que a emoção podem influenciar a forma como pensamos e nos comportamos, c Vocês acreditam que o senhor X passará a prestar mais atenção para não cometer o mesmo erro? Em se tratando do nosso dia a dia, quantas situações passamos e  muitas vezes não conseguimos nos conter, sejam elas no trânsito, nos relacionamentos, no trabalho, com os amigos; e simplesmente devido ao que passamos só queremos evitar tal lugar ou situação para não sentirmos novamente?

Espero que tenham gostado e que em outras oportunidades iremos trazer outros estudos de outros grandes teóricos acerca de la emoción.








Amiga íntima das crônicas| A distância imaginária




(Imagem retirada da internet)


Me lembro de ser uma criança bastante medrosa, corria pra cama dos meus pais na primeira oportunidade. Um pouco longe, no máximo de 3 metros deles, eu sorrateiramente saia do quarto e seguia até eles, mas a distância, até aquele conforto dos meus genitores, aparentava ser tão grande, como um buraco que nos separava. As luzes apagadas tornava tudo mais difícil de chegar até eles, mas eu sabia que estariam me esperando, sabia que o meu cantinho sempre estava separado.

Então eu resolvia dar um passinho de cada vez, mesmo na escuridão, até conseguir chegar ao meu destino final: o quarto dos meus pais. O mais engraçado era minha revolta ao amanhecer, por ver que aquela distância tão grande não passava de poucos passos. Hoje moro na mesma casa, e sim, ainda estou na cama dos meus pais, se é a pergunta, não pelo mesmo motivo, é claro. Hoje, gostamos de conversar e é divertido.

O fato é que por mais que passe o tempo eu nunca vou aprender a chegar tão rápido até eles quando estou no escuro. A vida tende a nos colocar nessas jogadas: quanto mais você complica as situações, quanto mais você faz com que as coisas sejam um corredor escuro de distância entre quartos, longe estamos de solucionar os problemas. O que torna difícil chegar ao destino que queremos, porque o percurso fica sempre mais complicado e apesar de tudo isso, algo ou alguém espera ansiosamente para que você chegue e tome o seu devido lugar, só depende de você.

Hoje eu decidi acender algumas luzes e chegar rápido, improvisar uma lanterna, criar um mapa, até mesmo um pensamento positivo: eu não vou bater em nada. nem quebrar nada até chegar onde desejo, onde eu almejo.


Mundo Psi| Amor tão rico, amor tão puro!

(Imagem retirada da internet)
Ouvimos falar sempre sobre o amor, de como é bom e como devemos amar! O estudo sobre o amor ainda é um assunto atual, mas torna-se uma tarefa árdua e complexa, pois tal sentimento é único para cada indivíduo, ou seja, para cada pessoa existe uma forma diferente de amor. Tanto para a linguagem quanto para a ciência se torna limitado descrever esse sentimento, pois o mesmo surgiu para ser sentido.
Amar alguém é muito mais que apenas palavras, ao contrário, é ser capaz de ver seu amado(a) além do que ele(a) apresenta, estando assim aptos para ver suas características essenciais, e o mais importante é ver todo o potencial contido nele(a), aquilo que ninguém mais ver. Várias são os estudos dentro da psicologia que abordam o tema em questão, neste momento irei citar apenas uma, em uma oportunidade futura posso trazer algumas outras. Dentro da psicologia, Fenomenológica-Existencial, temos a Terceira Escola Vienense de Psicoterapia chamada de Logoterapia.

O termo "Logos" do grego significa "Sentido" ela se concentra no sentido da vida da existência humana, nela o amor não é apresentada como um fenômeno físico, nem tão pouco apenas instintivo, mas sim um fenômeno primário como o sexo. É comum ouvir que quando duas pessoas amam o resultado é o ato sexual (instintivo), mas indo além de um simples ato, ele é a expressão (sentimento) que seria o amor. Para compreender melhor sobre o que a Logoterapia pode nos ensinar recomendo a leitura do livro "Em busca de sentido" de Viktor E. Frankl.

Os estudos e teorias que tentam analisar tal sentimento só crescem, mas ainda sim não nos satisfaz completamente, pelo fato de sentirmos que sempre existirá algo a mais, logo o que torna a definição do amor como sendo subjetiva. Por fim, se fosse necessário o entender em sua totalidade, talvez o envolvimento e mistério com o outro acabasse de forma rápida. O amor pode nos ajudar a descobrir as nossas diferenças de modo que nos enriqueça como dizia Martine Batchelor.