Quando eu tinha 11 anos, eu não sabia o que era o amor. Mas meu coração acelerava sempre que um certo coleguinha da minha turma entrava na sala de aula. Eu queria que ele me visse, que ele me notasse. Eu queria estar nos mesmos grupos que ele e sentava na cadeira atrás da sua, só para poder olhar para ele sem ser notada. Ele nunca percebeu ou deixou transparecer que havia notado algo. Talvez fôssemos imaturos demais para notar um ao outro, talvez eu o amasse enquanto ele amava outra. O ano passou, nos perdemos de vista, eu não sei bem a razão, mas por algum motivo o amor não perdoou, e eu o esqueci.
Nos meus quinze anos, outro colega de sala me chamou a atenção. Estudávamos juntos há 1 ano e meio mas, até então, só eu havia reparado nele. Ele era lindo, fazia meu coração palpitar. Ele me dava atenção, me fazia sorrir. Foi com ele que dei o meu primeiro beijo em um intervalo da aula. Eu gostava tanto dele, mas ele se apaixonou pela minha melhor amiga. O amor não perdoou e com muito sofrimento eu o arranquei do meu coração.
Eu tinha 18 anos e uma forte queda por meu vizinho. Ele era um gato, muito inteligente e um pouco mais velho que eu. Como toda a vizinhança, só tínhamos um pequeno parque no fim da rua para compartilhar. Nos apaixonamos, nos declaramos, começamos a namorar. Um ano depois, ele foi o meu primeiro. Foi uma noite mágica, eu estava feliz, ele era o homem da minha vida, mas ele começou a se afastar. Não me dava atenção, carinho, às vezes, sequer retornava as minhas ligações. Nos perdemos no tempo e mais uma vez o amor não perdoou.
Aos 24 anos, ciente de ter encontrado o homem da minha vida, resolvi casar. Éramos formados, tínhamos emprego fixo e casa própria. Decidimos apenas aguardar um pouco para ter filhos e nos estabelecermos na vida de casados. O tempo foi passando e não sei quando começou, mas, de repente, éramos dois estranhos morando na mesma casa. 5 anos após o casamento e uma conversa, percebemos que não tínhamos tempo um para o outro, isso até podíamos consertar, mas meu marido confessou ter me traído com outra mulher, por quem estava apaixonado. Isso nem eu, nem o amor perdoamos e eu decidi me divorciar.
Aos 35 anos, estou completamente apaixonada por um colega do trabalho. Saímos algumas vezes, nos damos bem, temos gostos parecidos e tentamos compartilhar o que o outro gosta. Talvez todas as experiências da vida não tenham sido em vão. Talvez tenha aprendido que eu poderia ter tentando mais, lutado mais, amado mais. Eu não sei onde isso vai dar. Hoje eu estou feliz, vivendo um dia de cada vez, mas amando como se não houvesse amanhã.
Nesse momento, ao lado do homem que eu amo, no salão de festas onde meus pais comemoram seus 36 anos de casados. Observo seus rostos sorridentes, suas mãos trêmulas, seus corpos cansados, e o amor intenso que emana dos seus olhos quando olham um para o outro. Então eu lembro que nossa vida não foi fácil; que houveram brigas, longas distâncias, falta de tempo; em alguns momentos, até certo desinteresse e penso que nem isso os afastou. Ergo a taça de champanhe até meus lábios, os observando a todo momento e me pergunto: o que realmente o amor não perdoa?





