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Resenha|| E não sobrou nenhum





Nome do livro: E não sobrou nenhum
Autora: Agatha Christie
Páginas: 399
Editora: Globo Livros

                             Avaliação:

Sinopse: “Dez soldadinhos saem para jantar,/ a fome os move;/ um engasgou, e então sobraram nove.” A inocente cantiga infantil ganha ares de terror quando surge em meio a dez pessoas confinadas em uma ilha, todas carregando muita história por trás e enxergando pouca esperança pela frente. Mistério quanto ao passado, tensão no presente. Na propriedade da ilha, cujo dono misterioso nem o leitor nem as dez personagens sabem quem é, Agatha Christie construiu o romance policial mais famoso de todos os tempos.








E não sobrou nenhum, é um livro escrito por Agatha Christie, popularmente conhecida como a "Rainha do Crime" e a melhor escritora de romances policiais de todos os tempos. O livro inicialmente tinha o nome de O Caso dos Dez Negrinhos, porém, causou polêmica e foi acusado de racismo, recebendo então o nome de "E não sobrou nenhum".


Esse misterioso romance policial conta a história de 10 personagens – o juiz Wargrave, Vera Claythorne, Philip Lombard, miss Emily Brent, o general Macarthur, o doutor Armstrong, Tony Marston, Mr. Blore, e Mrs. e Mr. Rogers - introduzidos cada um em um capítulo, guardando em segredo a verdade de traições e crimes que foram isentados de culpa. Além disso, o que os personagens logo descobrirão, é que compartilham algo a mais de semelhante: o convite de hospedagem à Ilha do Soldado por um tal de “Mr. Owen”.

Cada personagem é convidado de maneira diferente, através de cartas ou intimações atendendo ao interesse de cada um. Wargrave é um juiz aposentado que viaja, a convite de uma carta enviada por uma velha amiga, em um vagão até os arredores de Devon, onde uma barca o espera para levá-lo à ilha do Soldado, assim como o general Macarthur, que também é convidado para relembrar os velhos tempos entre antigos amigos. Surge, para Vera Claythorne, que trabalha com crianças, uma boa oportunidade de trabalho: ser a governanta da mansão na ilha, enquanto que Philip Lombard, que é um soldado desprovido de humanidade, é contratado para fazer a segurança ou qualquer trabalho que Mr. Owen" possa  lhe mandar em troca de um bom pagamento. 


Temos também, a personagem Miss Emily Brent, que é uma solteirona e religiosa fervorosa, que vai à ilha para passar as férias e se encontrar com uma conhecida de uma casa de veraneio, embora seu nome, na carta, estivesse ilegível. O doutor Amstrong, é um médico  convidado profissionalmente, assim como Mr. Blore, contratado através de uma agência de investigações para passar-se por hóspede e vigiar os demais, enquanto Tony Marston, um jovem imprudente e egocêntrico, vai à ilha a procura de diversão. E por fim, temos o casal Rogers, que são contratados para organizar o local e cuidar das necessidades dos hóspedes.

Após a comoção pela compra da Ilha do Soldado (originalmente a "Ilha do Negro", no livro O Caso dos Dez Negrinhos), surge a notícia de que esta havia sido vendida por um milionário norte-americano fanático por iatismo, que teve que desfazer-se dela por conta dos enjoos de sua mulher ao mar. Novamente, noticiada pela imprensa, a ilha é encoberta pelo mistério de quem é realmente o novo dono. Porém, ao chegarem lá, os hóspedes deparam-se com um espaço belo e pacífico, em que logo na primeira noite, quando seus delitos são expostos, descobrem não passar de uma armadilha, e, que estavam sendo confinados com um estranho que orquestrava seus assassinatos de acordo com uma antiga rima infantil:

“Dez soldadinhos saem para jantar, a fome os move;Um deles se engasgou, e então sobraram nove.Nove soldadinhos acordados até tarde, mas nenhum está afoito; Um deles dormiu demais, e então sobraram oito.Oito soldadinhos vão a Devon passear e comprar chiclete;Um não quis mais voltar e então sobraram sete.Sete soldadinhos vão rachar lenha, mas eis Que um deles cortou-se ao meio, e então sobraram seis.Seis soldadinhos com a colméia, brincando com afinco;A abelha pica um, e então sobraram cinco.Cinco soldadinhos vão ao tribunal, ver julgar o fato;Um ficou em apuro, e então sobraram quatro.Quatro soldadinhos vão ao mar, um não teve vez,Foi engolido pelo arenque defumado, e então sobraram três.Três soldadinhos passeiam no zoo, vendo leões e bois,O urso abraçou um, e então sobram dois.Dois soldadinhos brincando ao sol, sem medo algum;Um deles se queimou, e então sobrou só um.Um soldadinho fica sozinho, só resta um;Ele se enforcou,E não sobrou nenhum.”

Um tribunal é organizado, e o juiz Wargrave passa a analisar junto com os hóspedes quem é realmente o culpado pelos crimes, e quem poderia ser o assassino. Após algumas histórias esclarecidas, uma pergunta surge: Eles estão mesmo sozinhos na Ilha? Ou o assassino está disfarçado entre eles?

O lugar, então, passa a ter um ar sombrio, quando os hóspedes passam a temer o mistério que ela esconde, vivendo entre dias ensolarados e tempestades que dificultam o retorno para solo firme e seguro. Os acontecimentos noturnos e os soldadinhos de porcelana (estes que ficam encima da mesa de jantar) que vão sumindo ao longo dos assassinatos, contornam um ambiente envolvente, juntamente com o desejo de descobrir quem é o verdadeiro assassino.

Recomendo o livro para aqueles que gostam dos romances policiais em geral, e principalmente os de Agatha Christie. Não costumo muito ler este estilo de livro, mas mostrou-se envolvente, por isso o li rapidamente querendo saber o que iria acontecer com os personagens; o que eles realmente escondiam; se eram culpados ou não por seus crimes, e quem era realmente o assassino. Em toda a leitura do livro, fiquei sem ter uma ideia exata de quem poderia ser o assassino (risos), ficava oscilando entre suspeitas. É um livro simples, mas surpreendente!